Os hiperespaços para a educação formal, não formal e informal

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Como segunda atividade da UC Hiperespaços de Aprendizagem, a professora Daniela Melaré solicitou uma síntese sobre o tema “Os hiperespaços para a educação formal, não formal e informal”, a qual apresentasse, ao mesmo tempo, os conteúdos discutidos e compartilhados com colegas no fórum e minhas percepções acerca do assunto. Eis a nossa síntese. :)

Primeiramente, houve uma preocupação dos colegas em enquadrar os conceitos de educação formal, não formal e informal, os quais elenco a seguir, destacando sobretudo as características que diferenciam cada tipo.

- Educação formal: de acordo com Fraga (2009), citado pelo colega Fialho, é um sistema educacional altamente institucionalizado, cronologicamente graduado e hierarquicamente estruturado, que se estende da escola primária à universidade. Pinto (2005), citado pelo colega Cruz, complementa que esse conceito está associado às instituições ditas “tradicionais”, onde estão presentes as figuras do professor e do aluno e cujo currículo e regras de certificação estão claramente definidos.

- Educação não formal: segundo Fraga (op. cit), é toda a atividade educativa organizada e sistemática, porém alheia ao sistema formal de educação, com o fim de promover determinados tipos de aprendizagem a grupos específicos de uma população, sejam adultos ou crianças. Temos como exemplo de educação não formal os cursos de língua estrangeira e os cursos profissionalizantes. Para Pinto (op. cit.), esse tipo de educação é considerado um processo de aprendizagem social, uma vez que se centra no educando, por meio de atividades que estão fora do sistema formal de ensino, atuando de forma complementar a este.

- Educação informal:  para Fraga, é um processo contínuo de aquisição e desenvolvimento de conhecimentos, habilidades, competências, atitudes e comportamentos, o que ocorre ao longo da vida, por meio das experiências diárias e da relação das pessoas com o meio ambiente. Pinto complementa que a educação informal é tudo o que aprendemos diariamente de forma voluntária e esta não se processa de forma organizada e sistemática, mas ocorre naturalmente a partir da convivência com as pessoas, da interação social, da leitura de livros, enfim, da nossa percepção de mundo adquirida com mais ou menos intencionalidade em relação ao nosso potencial de aprendizagem.

Depois de bem caracterizar e diferenciar a educação formal, informal e não formal, a discussão no fórum caminhou para a relação entre os hiperespaços e suas possibilidades de aprendizagem nessas três modalidades de educação. Destacamos a seguir algumas colocações nesse sentido.

Citando Moran (2009), Fialho destacou-se que, com o advento da internet, abriram-se inúmeras possibilidades para o processo de ensino-aprendizagem ao tempo em que surgiram incertezas e desafios a serem enfrentados, sobretudo pelos educadores, os quais terão disponíveis recursos para aperfeiçoar o processo de avaliação e melhorar suas aulas com a adição de mais interação e comunicação com o seu aluno e entre os alunos. Por outro lado, a internet não pode ser vista como uma solução mágica para transformar a relação pedagógica, embora traga consigo novas possibilidades de interação e ampliação da busca pela informação, seja individual ou em grupo.

Nesse sentido, alguns colegas alertaram para a necessidade de articulação (e adequação) dos métodos convencionais às possibilidades abertas pelas novas tecnologias, o que não deve ser feito por uma questão de modismo, mas porque essas estão presentes no dia a dia do estudante, na solução dos seus problemas mais simples e até na sua forma de se relacionar com as pessoas.

Acerca dos novos rumos da educação, fundados no virtual e motivados pelas tecnologias de comunicação e interação, um ponto considerado importante e bastante referido no debate foi a mudança dos conceitos “tempo” e “espaço”. Anteriormente considerados mensuráveis e limitados no campo físico, agora tomam novas dimensões, mais amplas, flexíveis e imensuráveis à medida que ocorrem a partir da criação de redes. Nessa dimensão virtual, a localização geográfica e o fator tempo não são determinantes na aprendizagem, seja ela formal, não formal e principalmente informal. Ao contrário, à inexistência do limite geográfico e temporal alia-se a isenção de rigor, de linearidade, de formalidade e de intencionalidade – próprias da educação informal -, o que possibilita o surgimento e a multiplicação de conexões entre as pessoas. Essas conexões deram origem a redes sociais e de aprendizagem, assinaladas pela troca constante de informações e por contatos síncronos, assíncronos, em grupo e entre grupos.

Essa forma espontânea de construir o conhecimento, muitas vezes designada “aprendizagem ao longo da vida”, ocorre inconscientemente e involuntariamente, a partir da interação e da colaboração entre as pessoas, que se encontram conectadas em rede. E é por meio dessas conexões que o conhecimento é partilhado por todos, permitindo assim a reedição de conteúdos e a cocriação de forma coletiva e colaborativa.

Outro ponto discutido foi a mudança que vem ocorrendo na concepção de educação diante dessas novas relações virtuais, pois já se reconhece o valor e a importância da educação informal, mesmo no rigoroso contexto da educação formal. Não apenas na Comunidade Europeia, mas também no Brasil, esse reconhecimento é previsto em lei cujos dispositivos preveem o aproveitamento dos conhecimentos anteriores trazidos pelo estudante ou construídos ao longo da vida, o que causa impacto tanto na atividade docente – obrigando os professores a reverem suas práticas pedagógicas no intuito de oferecer uma formação mais criativa, crítica e ética, condizentes com os desafios impostos pela atualidade – quanto no papel do estudante – sobre o qual recai mais responsabilidade sobre o processo de construção de conhecimento e necessidade de autonomia, no sentido de buscar uma formação que possibilite sua empregabilidade.

E nesse contexto de formação contínua, alguns posts mencionaram os REA (recursos educacionais abertos) e os MOOCs (Massive Open Online Couses), no âmbito dos VLEs (Virtual Learning Environment), os quais permitem ao estudante organizar e conduzir a sua formação. Esses recursos possibilitam um universo de oportunidades e potencializam a educação informal, marcando efetivamente o início de novos paradigmas educacionais, calcados na busca autônoma de conhecimento, na participação voluntária e ativa, na construção e reconstrução constantes, no fortalecimento das redes.

Anderson (2011), citado por Cruz, afirma que o objetivo da educação é prover a pessoa de tudo o que ela necessita saber, para que possa desenvolver suas habilidades de modo a estar apta a conviver socialmente e sentir-se produtiva e creio que isso será possível se pudermos agregar e conciliar as aprendizagens formal, não formal e informal.

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